Na sexta-feira, 25 de Fevereiro, Galliano foi suspenso da Maison Dior após a queixa de um casal, que diz ter sido insultado pelo criador, embriagado, no bar La Perle, do icónico bairro parisiense do Marais. Geraldine Bloch, 35 anos, diz ter ouvido: "Sua cara suja de judia, devias estar morta." Philippe Virgitti, 41 anos e de origem asiática, diz que o criador o ameaçou: "Seu cabrão asiático, vou matar-te." A importância e a carreira do homem que salvou a Casa Dior do prejuízo, um milagre da alta-costura mundial, estava suspensa por uma polémica grave que faz lembrar os dislates de Mel Gibson, ou, mais recentemente, de Charlie Sheen. Mas na terça-feira seguinte, depois da divulgação de um vídeo (que será datado de 12 de Outubro e no qual as interlocutoras do criador se riem audivelmente) em que Galliano profere comentários anti-semitas no mesmo bar, dizendo nomeadamente "Amo Hitler" (o vídeo está no site do PÚBLICO), a Dior despediu-o mesmo. "O carácter particularmente odioso do comportamento" do criador no vídeo, lê-se no comunicado da marca, levou Sydney Toledano, presidente da empresa, "a condenar com grande firmeza as suas declarações".
A Casa tinha sido cautelosa desde o início, distanciando-se de Galliano assim que o alegado teor das suas declarações foi conhecido - ele negou inicialmente os factos,tendo o seu advogado Stéphane Zerbib enfatizado que o casal começou a discussão, gozando com o aspecto de Galliano.
Depois, nova queixa. Uma francesa diz ter sido insultada no mesmo registo e no mesmo La Perle, também em Outubro. Não se queixou mais cedo por ter achado que o criador estava alcoolizado. Novamente, o advogado de Galliano questiona estas acusações e o seu timing.
Entretanto, ontem à tarde, Galliano, já representado pela firma de advogados que defendeu Kate Moss, quando foi acusada de consumo de drogas, pediu desculpas. "O anti-semitismo e o racismo não têm qualquer papel na nossa sociedade. Peço desculpas sem reservas pelo meu comportamento", disse num comunicado divulgado pelas agências noticiosas. Não sem acrescentar que foi "sujeito a uma perseguição verbal e a uma agressão não provocada": "Um indivíduo tentou agredir-me com uma cadeira depois de ter comentado violentamente o meu aspecto e a minha roupa." Agora promete internar-se numa clínica de reabilitação.
Natalie Portman, cara do perfume Miss Dior Chérie (uma das principais fontes de lucro da marca, cujos desfiles espectaculares servem sim de alavanca para as vendas de produtos como os perfumes, cosméticos e acessórios), acabada de ganhar um Óscar, disse segunda-feira que nada queria ter a ver com alguém que proferia tais palavras contra judeus como ela. Em França, as declarações anti-semitas são puníveis com penas até seis meses de prisão.
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